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Confronto, sem parar!

novembro 27, 2008

Algumas pessoas já me falavam que o show do Confronto era uma coisa memorável. Tive que esperar a banda voltar da Europa para ver isso de perto. Viajei 2h30 do extremo sul ao extremo leste da capital paulista e pude encher meus olhos com um show nervoso, realizado Luar Rock Bar, cheio de energia, e com a galera agitando selvagemente e cantando todas as músicas. É, era verdade mesmo.

Esse foi o primeiro show após a quarta turnê européia e o reencontro com o público brasileiro, que eles afirmam ser o melhor.

Antes de começar o show, chamei os Felipes da banda (o Chehuan e o Ribeiro) para falar um pouquinho de como foi essa experiência, a recepção do Sanctuarium pelos europeus e um pouquinho do que vem por aí.

por Márcio Sno
Fotos por Maurício Santana

img_3344O que essa turnê na Europa teve de diferente das outras?

Felipe Chehuan: Começando pelo clima, que da outra vez que a gente foi era outono e a chance de tocar com uma banda americana [Die Young] em turnê o tempo inteiro. Ter o público que buscava mais o som dos americanos e o público que buscava o som do Confronto e isso no final foi bom pra gente porque os shows estavam cheios. Essa foi a principal diferença.

Felipe Ribeiro: A nossa primeira turnê a gente ficou um mês, a duas turnês que a gente tinha feito depois, além de a gente ter ido sozinhos, ficamos dois meses e meio, três meses. Dessa vez a gente fez um mês e tocamos em lugares bem legais.

Qual o balanço geral dessa turnê?

FR: Muito bom! Muitos contatos, coisas que no Brasil seriam impossíveis fazer, só estando lá mesmo para resolver. Fizemos muitos contatos, convites. Fizemos muitos shows bons, tocamos em vários locais onde a gente não tinha tocado ainda e algumas coisas que ainda não podemos adiantar, que não é oficial, mas acredito que pra janeiro ou fevereiro vai ter notícias boas dessa turnê na Europa.

As bandas do Brasil que vão tocar na Europa, geralmente vivem de favores na questão de lugares para dormir, comer etc. Com vocês foi da mesma forma? Como funciona isso?

FC: Tem um pouco disso que você falou, mas não é bem isso não. Não só as bandas do Brasil que ficam de favor. No geral, a Europa te dá um acolhimento muito maior do que em outros lugares. Coisa que nos Estados Unidos não acontece e em outros não acontecem. Na Europa, geralmente, já está incluído você receber um alojamento, receber comida, café da manhã…

FR: Falando por nós, a gente já fez a quarta turnê européia, tem uma agência lá que monta a nossa turnê, que cuida de tudo, então quando a gente já vai, a gente já tem uma van pra fazer a turnê, já sabe que vai ter alimentação, onde vamos ficar, tem uns clubes que já têm alojamento para as bandas, a gente fica em hotel, casa de promotor [de shows]. A última preocupação que a gente tem é essa.

FC: Por exemplo, a gente é vegetariano, vegan, e nem se preocupa quanto a isso, porque todo mundo já sabe que a nossa comida já está lá separado.

Houve algum fato interessante nessa turnê?

A gente encontrou o Redson do Cólera, ele foi num show da gente na Holanda. Depois que tocamos, fui falar com o ele e perguntei: “agora me fala, como foi essa parada de vir pra Europa por carta?” E ele me contou tudo, dessa loucura… Também encontramos o pessoal do Paura, lá na Polônia, eles estavam em turnê por lá também. É muito bom saber que as bandas brasileiras estão tocando bastante por lá.

Vocês acabaram de chegar da Europa e já encaixaram um restinho de turnê no Brasil. Vocês não descansam? Onde é que vão tocar até o final do ano?

FC: No Natal e Ano Novo a gente vai descansar com a família, e em janeiro a gente já começa de novo. Não pára, a banda não pára. Esse ano tem o show de hoje [21/11, no Luar Rock Bar, em São Paulo], na semana que vem a gente toca com o Dead Fish em Belo Horizonte e de lá vamos para o Espírito Santo tocar com o Mukeka di Rato.

Alguém se perdeu lá na Europa?

FR: Dessa vez não! É que dessa vez que a gente foi, a gente teve pouco tempo pra sair, pra conhecer as coisas e é frio, muito frio. E quatro horas da tarde já está assim [escuro]. E rotina foi meio assim: van e foi para outro lugar, dormiu, acordou, saiu de novo… É muito rápido, não deu pra se perder!

Do disco Sanctuarium, quantas cópias oficiais já foram distribuídas?

FC: Isso aí é com a gravadora, a gente não sabe. No Brasil a gente já sabe que a primeira prensagem já foi e na Europa tem os vinis e a gente está em contato também com os lançamentos e está legal. A gente está numa época em que CD já não vende muito, mas a internet facilita um alcance muito maior. A música hoje chega em todo o canto.

FR: Hoje os CDs que a gente tem são os que a gente tem na mão, o restante acabou. Os caras às vezes perguntam: “como assim, acabou?”. Não sei, estamos dando sorte e estamos vendendo.

img_3345Como o novo disco foi recebido pelos europeus?

FC: Saiu em vinil, a gente ficou surpreso quando pegou o vinil que saiu na Itália, já tínhamos 15 dias de turnê quando a gente pegou o vinil. Foi um selo italiano junto com um russo que lançaram. E o pessoal que lançou na Itália que entregou nossa quota. A recepção está a melhor do mundo, já começando pelo Myspace onde upamos duas músicas, que teve uma resposta européia muito boa, e chegou na Itália e como no ano passado, os caras cantando as duas músicas em português, “Santuário das almas” e “Abolição”, logo de cara, todo mundo estava cantando, isso foi muito legal. Parecia que estávamos aqui, no Brasil. E no final da turnê, os americanos já estavam cantando em português! Tem até foto na internet dos caras cantando “Santuário das almas”. Foi foda!

O que falta para o Confronto conquistar ainda?

FC: Se eu parasse agora, eu já estaria muito feliz por tudo que a gente conquistou, mas isso não é a nossa meta, pois estamos numa sintonia muito legal, já estamos completando 10 anos de banda no mês que vem e a gente ainda quer muita coisa, a gente ainda vai conseguir muita coisa. Se tudo acontecer do jeito que as coisas estão vindo, se a metade das coisas acontecerem já vai ser muito bom.

FR: A verdade, que a gente é uma banda essencialmente vinda da Baixada Fluminense, lá do Rio de Janeiro, então pra gente que é uma banda que tem 10 anos e já conquistou 4 turnês européias, a quantidade de gente que a gente conhece, a quantidade de lugares que já tocamos, ter vendido todos esses CDs até hoje, acho que é uma coisa muito, mas muito significativa pra gente. Só que a gente está numa mentalidade de que 10 anos é o começo, estamos começando. Pois se você for ver, o Sanctuarium é o segundo CD, pois o primeiro é um EP com 6 músicas, então tem muito pneu pra queimar ainda, muita estrada pra pegar e muito rock and roll ainda!

Para conhecer mais:
http://www.myspace.com/confronto
http://www.fotolog.com/x_confronto_x
http://www.diariodatour.wordpress.com

Risadas, baratas e rock n’ roll

novembro 25, 2008

Por Márcio Sno


aprimera_batera1
Dá pra imaginar um cara que vive o rock publicar um livro para colorir? Não. “Para colorir” é o nome do livro. Mas não um livro comum. Um livro musical feito por um cara que respira música e é um ser comum como todos nós: sente friozinho na barriga quando encontra com uma pessoa que admira, tem medo de barata… Essas coisas. Mas Ricardo Cury possui algo que poucos normais têm: a sensibilidade para observar “situações pautáveis” e o talento para escrever bem. Tá, também tem um inteligente gosto musical, que podemos conhecer nas páginas desse livro – para cada texto tem pelo menos uma referência musical.

O livro com mais de 300 páginas foi lançado de forma totalmente independente e já vendeu muitas cópias (em relação a publicações independentes) que o autor distribui naquele velho esquema de zines: enviando pelo correio ou em lançamentos por todo o país.

Aumente o volume e confira um pouco do que o baiano tem.

Pode parecer banal a pergunta, mas por que o nome “Para colorir”?
Uma das coisas, talvez a principal, é que sempre recebi um retorno das pessoas que liam os textos no blog, comentando sobre a coisa do humor, que se divertiram lendo, deram risada… Disso vem o colorir. Algo como “Para se divertir”. Pra mim, risada tem a ver com cores. Outro fator também importante é o conceito gráfico do livro, todo em preto e branco, que, por sinal, foi também pensado dessa forma para baratear os custos, já que eu que banquei essa primeira edição. Se tivesse cor, seria muito mais caro.
E por fim, a contradição de usar no nome um termo que é atribuído aos livros infantis…

Você já distribuiu 75% da tiragem do livro. Qual o balanço que faz?

Estou bastante satisfeito com o que o livro fez. Fiz 1000 exemplares, vendi 590 e dei 200 pra divulgação. Isso tudo nesse ano de 2008, que foi o ano do seu lançamento. Ainda tenho uns 200 e pouco, que aos poucos vão saindo. Por semana vendo dois, às vezes três… Mas sempre vende. Outro balanço importante que faço é o da distribuição por empréstimo. Pessoas que emprestaram o livro pra algum amigo ou parente. Sempre recebo mensagens desse tipo, de gente que leu o do vizinho, da namorada… O que me faz perceber que o livro tá circulando por aí. Uma amiga minha disse que todo mundo que lê o exemplar dela tem que assinar. É a melhor forma de divulgação. Vale mais que 30 segundos no intervalo do Jornal Nacional.
Por fim, o balanço financeiro, onde o livro, apesar de ser em PB, custou caro, tem 320 páginas, papel pólen, e esse retorno financeiro nas vendas foi bastante significativo pra equilibrar os seus custos.

credito-angelo-monteiro1Não é muita ousadia lançar o seu primeiro livro sem o nome do livro e do autor na capa?
Talvez… Mas é uma das coisas do livro que olho hoje e não me arrependo. Primeiro que considero o desenho de Ricard, ilustrador do livro, fabuloso. Daí, não tinha porque eu colocar o meu nome ou algo em cima dele. E um livro não é um outdoor, onde as informações têm de estar perfeitamente visíveis. Livro é uma coisa pra você, na primeira vista, abrir, futucar, folhear, ler… E nesse tempo, todas as informações (o nome do autor, o nome do livro, do ilustrador, do revisor, do diagramador) vai ser achado facilmente. Outra coisa também é que já me exponho demais dentro do livro, nos textos, pois falo de acontecimentos reais, daí não precisava me expor fora dele, com meu nome gritando na capa.

O livro tem um formato que lembra um disco: textos soando como faixas e até um espaço no final do livro que lembra uma faixa escondida. A intenção era essa mesma de deixar com cara de disco?
Sim. A música é o que dá o tom do livro. O livro só existe por causa da música, da minha carreira de baterista, tentando ter uma banda de rock and roll que fizesse sucesso. Os rodapés são para as músicas citadas nos textos e seus autores, discos, ano de lançamento e capinha do disco. Fico feliz que você tenha tido essa impressão.

Nas situações descritas em seus textos você pensava “isso dá um bom texto” ou só percebeu isso depois?
Em alguns, sim e em outros, não. No texto do meu encontro com Caetano, por exemplo, é um que seria muito óbvio eu pensar que daria um bom texto, mas na hora isso não me passou pela cabeça. No dia seguinte ao fato, em Recife, na praia, eu estava sentado na areia quando comecei a pensar “e esse encontro com Caetano Veloso no avião… que loucura… e quando ele disse que gostava da brincando de deus (minha banda)… e quando ele falou que era fã do Pixies… e quando ele paquerou a aeromoça… porra, isso dá um texto”. Na mesma hora fui escrever.

Cada texto do livro traz uma ou mais referência de músicas. Tudo em sua vida tem uma trilha sonora?
Acredito que na de todos nós. Música é a arte mais difundida no mundo. Em todo o momento se está ouvindo música. No trabalho, no trânsito, em casa, no mar, nos bares…

Já pensou em lançar uma trilha sonora do livro?
Rapaz, um podcast seria uma ótima idéia… Curti.

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Quando você lançou o livro, afirmou que tocar estava fora de questão. Ainda mantém esse discurso? Até quando acha que vai resistir?
Yeah. Mantenho esse discurso com muito prazer. Sempre que alguém chama pra fazer um som, a resposta básica de um músico é aceitar. Depois que decidi parar de tocar, ainda assim, sem querer, aceitava fazer alguns shows com amigos, e sempre pensava “pra quê fui aceitar?”. Um dia, um amigo me chamou pra tocar num show com uma banda e tal e eu disse “não”. Ele me olhou surpreso, perguntou porque e eu repeti “não, não quero tocar”. Foi incrível a sensação. Depois desse dia me libertei de vez. Falo “não” na maior tranqüilidade e alegria.
Porém, até quando, não sei mesmo.

Você é um cara que toca, vai a estádios, lança livro e viaja o Brasil todo, sem ter retorno financeiro com isso. Como a Cris lida com isso?
Tenho meus trabalhos, inclusive todos na área de redação, que fazem a parte do retorno financeiro, e muitos destes trabalhos foram conseguidos a partir do livro, colocando ele como parte do meu curriculum vitae.
Cris, por ser engenheira, tem uma visão mais exata das coisas, e essa coisa de trabalho freelancer nunca foi nada exato, o que sempre a incomodou. Porém, com o tempo e a convivência, eu fui ficando mais exato e ela um pouco mais emocional… aí chegamos num equilíbrio que faz as coisas fluírem de forma tranqüila.

yestenho_bananaCom o seu livro, Leonardo Panço tomou coragem para lançar o “Caras dessa idade já não lêem manuais”. Como é isso para você? Houve mais situações do tipo?
O seu trabalho influenciar uma pessoa dessa forma é realmente um ponto de vista interessante pra achar que fez a coisa certa.
Houve algumas situações parecidas com a do Panço, sim, de gente que, a partir do meu, criou coragem pra fazer um livro também, principalmente quando perceberam que podiam fazer de forma independente, sem precisar de uma editora. Mas sempre recomendo: corra atrás pra divulgar e vender.

Qual história gostaria de ter colocado no livro que não entrou?
Existem algumas histórias que foram tiradas da edição final, assim como outras que foram colocadas… A vontade de mudar acontece o tempo todo, então não dá pra ficar pensando “aquela história poderia ter entrado”, pois, com certeza, mais tarde, acharia que era aquela outra quem deveria ter entrado… Acho que o livro tá beleza como tá. Talvez mudasse algumas coisas, mas ele é o que é e pronto. Uma hora tem de terminar o trabalho. Ou melhor, abandonar o trabalho.

No livro você conta histórias de seus encontros com algum de seus ídolos. Quem você ainda precisa encontrar para contar uma história?
Alguns poucos… McCartney, Ringo, Michael Stipe, Angeli, Ziraldo, Mauricio de Souza e Quino.

Como anda a sua fobia por baratas? “A Metamorfose” de Kafka é um livro de terror para você?
Rapaz, barata é foda. Um bicho daquele tamanho, que coloca pra correr diversas pessoas ao mesmo tempo, é, no mínimo, para ser respeitado. Entrando na questão acima, esse texto das baratas é um dos que às vezes eu penso que não deveria ter entrado… Mas depois mudo de idéia.
“A Metamorfose” causa um asco, mas não chega a ser terror. A história é mais intensa que o bicho. Um amigo meu disse que ia fazer um curta de um minuto, encenando “A Metamorfose”. Quando ele viraria barata, iria olhar pra câmera e dizer:

– Boa porra.

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Lançamento de “Para Colorir” em São Paulo

Dia 29 de novembro, sábado, às 16h

Livraria Pop – http://www.livrariapop.com.br

Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros, São Paulo – SP

Contatos:
http://www.ricardocury.blogspot.com

cury78@terra.com.br

Créditos:

Foto por Angelo Monteiro

Ilustrações por Ricard

PLANETA TERRA FESTIVAL

novembro 11, 2008

PLANETA TERRA FESTIVAL
(ou “Não tenho mais idade para certas coisas”)

(08/11/08 – Vila dos Galpões – São Paulo/SP)

Nada do que irei contar faria sentido se aos 43 minutos do segundo tempo, uma santa luz não aparecesse em meu departamento me oferecesse dois ingressos. Todas as possibilidades anteriores fracassaram: entrar como imprensa, concursos… Lógico que não tentei comprar, ainda mais porque não mais desfruto das maravilhas da meia-entrada.
Enfim. Lá estava eu. E a Joelma. Lembro-me que o último festival do porte que eu fui, foi no Hollywood Rock, quando eu ainda era daqueles adolescentes que enchem a cara e saem zoando. Ok, ok, nessa oportunidade ainda promovi a alegria dos adolescentes inconseqüentes com um strip tease no Estádio do Morumbi…
A produção do Planeta Terra adotou um local bem bacana, um espaço de galpões, que já abrigou indústrias. Na região há vários deles, pois muitas empresas fugiram dos impostos da capital.
Logo de cara, uma coisa me chamou a atenção: não haviam grupinhos de adolescentes inconseqüentes, emos, essas coisas… Só me dei conta quando me liguei que a entrada era só para maiores de 18 anos. Um pessoal simpático, sem aqueles histerismos que só um jovem é capaz de proporcionar.
Cheguei ao local às 19h10 e outra coisa diferente que eu não esperava: os shows estavam começando nos horários prometidos.
Como no palco (o tal do main stage) estava a pueril revelação do momento, Mallu Magalhães, que aliás não poderia estar ali por ser menor de idade. Resolvemos então conhecer a estrutura do local. Chegamos ao indie stage, onde já ia começar o show do Animal Collective. Após alguns probleminhas técnicos que causaram uma sonora vaia, começou o que a produção chamou de “um festival de várias experiências”. Enfim, entendi o slogan. Mas não o som da banda. Cheguei ao mesmo questionamento que faço às obras da Bienal: ou o artista abusa muito da criatividade, atingindo pontos elevadíssimos de imaginação, ou eu não entendo nada de arte. Não agüentei o fim da primeira música (ou não-música?). Foi a partir desse momento que comecei a gostar um pouco de Mallu Magalhães. Depois encontrei um amigo que ficou na expectativa de algo melhorar até a terceira música. Não teve sucesso.
Cheguei ao main stage e a Mallu cantava sua última música.
Os próximos a subirem no palco foram os veteranos do Jesus and Mary Chain, que até então eu não conhecia nada. Falo sério. Tá bom, eu conhecia a capa de Psychocandy. Nada mais. Um amigo de Aracaju disse que seria o show da vida dele. Entendi o porquê. A banda é boa mesmo. Agora tenho que cumprir a promessa de baixar a discografia deles. Mostraram com muita competência o motivo que os mantém por mais de duas décadas na estrada. As clássicas “Head On”, “Happy When It Rains” e “Just Like Honey” botaram o povo pra cantar.
bloc-party-planeta-terraNa seqüência, entrou mais uma banda famosa que eu conhecia quase nada (só umas quatro músicas que vi na MTV ou na época em que eu tinha saco para rádios-rock): The Offspring. Não sei, mas nunca curti o vocal moleque de Dexter Holland (que está a cara do Lenine!). Mas senti que a rapaziada curtiu muito e cantava todas as músicas, mesmo com o som horrível (dos equipamentos, não da banda!). Se bem que ouvi um pessoal old school comentando que eles não tocaram nada do primeiro e segundo disco. Coisa de velhos. Mas o certo é que foi o mais agitado da noite, com direito a bonés, blusas e camisetas voando ao som das três guitarras da banda californiana.
No intervalo do show aconteceu uma das coisas mais bizarras do festival: no telão aparecia a repórter da Terra TV nos bastidores do show e ela, esperando que o público fosse formado por fãs histéricos, achou que estava abalando mostrando o camarim vazio do Bloc Party e, sem ela perceber que os integrantes da banda estavam atrás dela! Ela chegou até a olhar pros caras, mas parecia que não reconheceu. Pior ainda ela batendo na porta do camarim do Kaiser Chiefs. Que tal exibir clipes da próxima vez?
Enfim, Bloc Party ao vivo! Depois do fiasco de tocar playback no VMB desse ano, a banda tinha obrigação de fazer um ótimo show. Fez um bom show. Com direito até a um pedido de desculpas do vocalista Kele Okereke sobre o episódio da MTV e se esforçou para dar o melhor dele para o público. Independente de qualquer coisa, essa é a melhor banda da atualidade na minha opinião. Muitos cantaram as músicas em coro, com destaque para “She’s hearing voices” e “Price of gas”.
Detalhe: a banda foi a única a agradecer em conjunto ao público.
ricky-wilson-kaiser-chiefs-planeta-terraMas a atração da noite estava para chegar: a chamada “banda queridinha inglesa”, o Kaiser Chiefs. Sinceramente não sabia que o público deles no Brasil era tão grande. Lembro que eu soube da banda depois de uma entrevista que vi o vocalista do Echo & the Bunnymen, Ian McCulloch, declarar que o KC era sua banda favorita. Imaginei que o público era mais restrito. Mas não é. Tanto que foi no show deles que vi a primeira exaltação de fãs.
Mas a banda no palco é uma energia só. A começar pelo vocalista Ricky Wilson, que logo na primeira música se atirou no público, que cantou todas as letras em uníssono.
Wilson ainda levou uma “colinha” com algumas expressões em português, inclusive “eli é um herói”, referindo-se ao tecladista Peanut, que foi operado na véspera do apêndice. Lógico que quase ninguém entendeu a referência.
Enfim, foi um show digno de fechar festival. Mas a banda pecou feio em não voltar para o bis e não cantar “Born to be a dancer”, que parte do público até arriscou o coro do “ô, ô, ô, ô, ô…”. Nem tudo é perfeito.
Enfim, um festival bem organizado, com bandas boas (pena que não consegui ver Breeders…). Cumpriu seu papel. Pena que quando eu era mais novo os festivais não eram assim… Pois teria pique para ver a tão falada Vanguart, que abriu o festival… Melhor deixar isso para quem tem mais pique: os menores de idade.

Por Márcio Sno